Texto 004 - A fumaça do amor ou as consequências do ódio.
Quanto teve o dia do Fogo em 2019. Muita gente apontava que eram naturais essas "supostas" queimadas, e que nada daria e nada aconteceria com a amazônia, mesmo com as enormes colunas de fumaça chegando em Sao Paulo.
Desde a eco 92 que se vem fazendo os alertas, e como em bons (e ruins) filmes de desatres, os cientistas estão sendo rigorosamente ignorados.
A fumaça que cobre a Cidade de Manaus e consequência de práticas que sempre ocorreram queimadas de pequeno porte, normalmente feitas para limpar terrenos ou queimar lixo. Mas isso teve uma potencialidade esse ano. Estamos enfrentando a pior estiagem que se conhece da Amazônia. Com pouquíssimas chuvas, o aquecimento das águas do Atlântico e com ventos direcionando as colunas de fumaça para o centro da Amazônia, e tudo isso trm feito desse evento um verdadeiro e autêntico desastre climático. Mas diferente de enchentes ou tornados. São efeitos sutis que só percebermos na fumaça e na seca dos rios, mas não se limitar a esses eventos, nem ficará restrito a Amazônia.
Fumaça do Amor? Ou o ódio cobrando seu preço.
Em dezembro de 2019 circulou no mundo a imagem deplorável de um ministro do meio ambiente fazendo pouco caso das queimadas na Amazônia ao fazer um churrasco durante a COP-25. Esse era o resumo da política ambiental, uma política que deixou criminosos desmatarem, garimparem e rasgarem a floresta por 4 anos. Uma política que demitiu e perseguiu cientistas, servidores e ate policiais federais, enquanto se vendia a idéia de que se os europeus puderam durante séculos desmatar as florestas deles por que não a gente?
A resposta é bem simples: durante seculos não havia consciência ambiental de que o desmatamento e ate a poluição da revolução industrial poderiam trazer consequências noa dias de hoje; durante séculos a população humana não passava de 1 bilhão de pessoas e isso faz uma enorme diferença, em um século a população mundial aumentou em 8 vezes, ou seja as necessidades de alimentação, vestuário e ate necessidades fisiológicas também cresceram no mesmo ritmos, exigindo mais desse planeta. Durante séculos se ignorava que o planeta é um só e que o desmatamento na Europa podia trazer consequências para outras partes do mundo.
O governo negacionista climático dizia que desmatamento e queimadas são coisas culturais da Amazônia, negando que a cultura do desmatamento foram importadas pela colonização da Amazônia promovida pelos governos militares. E que as queixas sobre isso eram reclames de "ongueiros" e europeus que queriam supostamente tomar a amazônia para si, enquanto o suposto presidente patriota, oferecia a exploração da Amazônia de mãos beijadas para os americanos. Essa era a justificativa enquanto os órgãos ambientais eram loteados de militares que entendiam tanto de meio ambiente, quanto de fisica nuclear. Enquanto cientista que fizeram o mero trabalho de divulgar dados, era desacreditados, perseguidos e crucificados nas fogueiras de mentiras da internet. E enquanto delegados eram demitidos dos casos e dos cargos por receberem denúncias vindas de fora de crimes cometidos por madeireiros ilegais, com as bençãos do Ministro do Meio ambiente, e segundo algumas acusações, com conivência.
Graças a Deus, esse tempo de trevas passou.
E o "Lules? Não é responsável?"
Em 10 meses do novo governo não temos nada disso na questão ambiental. Não tivemos nessa crise, cientistas demitidos, instituições perseguidas ou o governo federal dizendo que "nada podemos fazer". É certo que a responsabilidade do governo federal em atuar é sempre uma obrigação e ele precisa ser cobrado por isso. É preciso endurecer o discurso e a legislação contra os crimes ambientais, e não afrochalos como a bancada do boi e da bala que facilitar a vida de quem esta disposto a condenar o planeta em nome de alguns trocados. É preciso, urgentemente,nIr atrás não só de quem desmata e queima a amazônia, mas de quem esta financiado isso querendo terras, mineiros e a madeira que ainda resta. Na lógica perversa de alguns criminosos: "Você não precisa se preocupar em proteger a Amazônia se não tiver amazônia para proteger".
Vimos esse ano a crise humanitária dos Yanomamis, e as ações do governo federal pra expulsar 20 mil garimpeiros das terras indígenas. Vimos disparar o número de ações do IBAMA no combate ao crime ambiental. E temos um clima de paz em relação a esse governo no que diz respeito de cobrar poe ações a médio e longo prazo. É verdade que 10 meses é muito pouco para recuperar 4 anos de sucateamento e devastação ambiental. Mas não se pode perder tempo, estamos em um ponto crítico, que não sabemos se terá retorno, o que cabe cobrar Açores de urgência do governo nesse tema. E um pouco de lucidez ao congresso de que o pensamento do atraso que alguns lobistas da bancada do boi ( e da bala) não cabe mais no século XXI.
Essa fumaça não é do amor. Essa fumaça é consequência do ódio, o ódio ao meio ambiente, ódio aos povos originários, ódio a ciência e o ódio ao trabalho de órgãos ambientais. Tanto ódio deixou marcas que com eventos ambientais tem se potencializado em fumaça e seca.
Essa fumaça vai passar? Vai. A epoca das chuvas esta chegando, mas o alerta é de que não ira compensar o dano feito esse ano. E se nada for feito, e isso deve sim se cobrado de Brasília, essa fumaça não só ira voltar, mas será cada vez pior e ficará por mais tempo.
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